Um dos livros de leitura obrigatória para quem se interessa pela educação de surdos é sem dúvida “Bilinguism in Deaf Education”, editado por Inger Ahlgren e Kenneth Hylttenstam, em 1994.
Um dos livros de leitura obrigatória para quem se interessa pela educação de surdos é sem dúvida “Bilinguism in Deaf Education”, editado por Inger Ahlgren e Kenneth Hylttenstam, em 1994.
O que é que acontece quando o filho que nasce não é o filho sonhado?
É a tristeza e a angústia, um turbilhão de emoções.
Geralmente imaginamos estas situações sempre do ponto de vista da sociedade maioritária, dos ouvintes e das pessoas consideradas "normais". Mas o conceito de "normalidade" não passa de uma representação social, de um discurso socialmente construído e por isso contingente. Outras pessoas terão outro sentir, outras perspectivas em relação a uma mesma realidade.
Por vezes lêem-se notícias engraçadas e esta é uma delas.
www.metro.co.uk/news/806519-deaf-fox-cub-p
Foi lançado no passado mês de Dezembro, o primeiro número do boletim informativo “SurdosNotícias”, que conta com o apoio da Federação Portuguesa de Associações de Surdos (FPAS) e do Instituto Nacional para a Reabilitação (INR).
No dia 19 de Dezembro de 2009, foi lançado o último livro infantil de Marta Morgado. Intitula-se “Sou Asas” e conta a história do primeiro dia de aulas de uma menina numa turma de surdos.
Comemora-se hoje o Dia dos Intérpretes de Língua Gestual Portuguesa. Estes são, sem sombra de dúvida, elementos fundamentais numa escola que se quer bilingue. São eles que garantem aos alunos surdos o acesso ao currículo através da sua primeira língua. Este é um direito reconhecido na Constituição da República Portuguesa e no Decreto-Lei 3/2008. Para que a lei se cumpra, os intérpretes colocados nas escolas devem cobrir todas as necessidades existentes e não apenas algumas. Não podemos viver apenas de aparências, mas de práticas reais. Em algumas escolas esta cobertura já é feita, noutras ainda não. O acesso a uma educação bilingue ainda não é um direito para todos.
O PROFACITY é um projecto que pretende investigar cidadanias profanas no contexto europeu. E então, o que é isto de cidadanias profanas? "São experiências de cidadania por parte de pessoas, grupos e/ou comunidades vistas como estando em desvantagem no que se refere ao exercício efectivo dos seus direitos democráticos e de cidadania". Esta é a missão do PROFACITY (Profane Citizenship in Europe: Testing democratic ownership in hybrid situations). Ou seja, examinar de que forma "as práticas dos actores sociais em situações de desvantagem e/ou falta de recursos, que põem em causa o seu direito a ter direitos, são ou não consideradas como alternativas à cidadania jurídica, isto é, a cidadania atribuída pelos princípios legais e constitucionais que regem cada país e que contribuem para o redimensionamento das suas fronteiras".
Está aí a noite de Natal, momento de encontro e de convívio, de partilha em família. Mas não basta ter muita gente à volta para nos sentirmos acompanhados, compreendidos…
A Escola Secundária de Avelar Brotero, em Coimbra, decidiu convidar várias escolas de surdos do norte, centro e sul do país, para que todos em conjunto pudessem festejar o Natal em LGP. O encontro foi marcado para o dia 17 de Dezembro.
Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today...
Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace...
You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one
Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world...
História:
Francisco Goulão, é professor de Educação Visual no Centro António Cândido, Porto, há mais de 14 anos. No entanto, sempre se empenhou nesta profissão durante 32 anos, após se licenciar em Pintura pela Faculdade das Belas Artes da Universidade de Lisboa. E é Surdo de alma e coração, tem 58 anos de idade. Falamos do Professor Surdo Francisco Goulão.
Tem sido uma figura de referência incontornável para muitos Surdos que, na maioria deles, foram seus próprios alunos, não apenas como por entre muitos membros da comunidade Surda, pelo menos, da última geração em que a internet e outros géneros tecnológicos que hoje conhecemos, como o telemóvel, não eram ainda a realidade.
Na altura, havia só jornais em papel que eram acessíveis apenas para quem compreendia razoavelmente o português escrito. E o tradicional e eterno telejornal e outros jornais televisivos continuava a barrar aos Surdos, apesar das imagens de alguma forma elucidativas , o precioso acesso à informação como complemento.
O Professor Francisco Goulão era um dos escassos Surdos que dominavam a compreensão do português escrito e podia ler os jornais sempre que quisesse, mas também preocupava-se em informar e manter os Surdos actualizados do que se passava no nosso mundo em questões políticas e outras de natureza diversa e variada, tanto cá dentro como lá por mundo fora. Em outras palavras, procurava tirá-los da ignorância quase absoluta a que, na ausência de outros recursos possíveis, pareciam inevitavelmente condenados. Para esses mesmos Surdos, o Prof. Goulão era uma espécie de jornal 'vivo', do qual podiam ter acesso à informação generalizada.
O documentário propõe demonstrar, através das entrevistas, as situações pontuais em que como o simples vivenciar de um humilde Surdo numa normal convivência com alguém congénere da geração anterior como o Prof. Goulão, dotado dos conhecimentos que tinha pela simples capacidade de ler jornais, pode potenciar tanto as oportunidades de permitir a um Surdo quase funcionalmente analfabeto esculpir uma visão particular, pessoal e abrangente sobre a realidade externa, a partir da sua própria consciência intrínseca que, com e graças às conversas constantes, pôde desenvolver em grande escala. O elemento central para esta 'ponte da informação' era irrevogavelmente o uso da Língua Gestual. É um daqueles casos que se pode dizer que os gestos não só falam mas que também informam... E mais ainda, informando por vezes pode-se ensinar e aprender de diferentes formas, explorando inúmeros temas e questões por meio da conversa. Vítor foi um dos alunos Surdos do Prof. Goulão, com quem o compartilhar da rotina quotidiana, tanto dentro como fora de aulas, lhe trouxe benefícios e teve ainda enormes influências e impactos determinantes para a vida que leva hoje. Um dos exemplos mais flagrantes passou-se quando Vítor, já adulto, recebeu uma carta da Segurança Social e, em virtude das bases de orientações que recebera das conversas habituais com o Prof. Goulão, pôde entender, em geral e de forma clara, o conteúdo do que vinha escrito na carta. Uma situação aparentemente vulgar para outros, mas para ele, sem dúvida, um marco muito significativo e que vem realçar a importância do modelo Surdo que representa para os Surdos em idade escolar, para fins da construção da identidade pessoal e outros benefícios inerentes como, por exemplo, o crucial desenvolvimento das faculdades cognitivas.
A Escola EB2.3 de Paranhos tem este ano lectivo, uma nova oferta educativa para os alunos surdos. É um Curso de Educação e Formação tipo 2, em Pintura e Decoração Cerâmica. Este CEF procura ir de encontro às necessidades sentidas tanto por docentes, como por alguns alunos e suas famílias. Nem todos os alunos têm como objectivo o prosseguimento de estudos para o ensino superior, para alguns é mesmo uma meta difícil de alcançar tendo em conta as dificuldades com que se debatem. Depois há ainda a questão da idade. Ainda há alunos com 18, 19 e 20 anos a frequentar o 3º ciclo! Com esta idade, os alunos sentem necessidade de enveredar o mais rapidamente possível por uma via profissional. É essa possibilidade que os motiva a continuar na escola.
A IDEA (International Deaf Education Association) é uma associação norte-americana sem fins lucrativos que tem desenvolvido vários projectos com o intuito de proporcionar o acesso à educação a crianças surdas negligenciadas que vivem em lugares remotos e completamente isoladas.
http://www.youtube.com/watch?v=JLMqMJXsU
http://www.youtube.com/watch?v=-aZY6mcN5
Nos dias 11,12 e 13 de Dezembro a Associação de Surdos do Porto, em parceria com a PELE – Espaço de Contacto Social e Cultural, irá apresentar no auditório Horácio Marçal, na Junta de Freguesia de Paranhos, a peça teatral “Eram umas quantas vezes.”
Estreou no canal BSLBT (British Sign Language Broadcasting Trust), a curta-metragem “Coming Home”, dirigida por Louis Neethling, o mesmo realizador de “Departure Lounge”.
O programa ‘Sábados Especiais’ prossegue em Dezembro, com um encontro no Porto também dedicado à educação dos alunos surdos, agora dirigido a todos os níveis de ensino, sobre a questão candente dos materiais para a educação bilingue e a organização do trabalho cooperativo, do trabalho em rede, para alargar e sistematizar as iniciativas de investigação e construção de produtos didácticos.
CONSEGUE COMER SEM MÃOS?
O Núcleo de Alunos de Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade Humanas (NAERA) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro irá organizar no próximo dia 3 de Dezembro, quinta-feira, um "Jantar Sem Mãos", em comemoração do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.
Esta iniciativa de sensibilização tem como objectivos lembrar que a Deficiência faz parte da vida e mostrar aos participantes do jantar como poderão superar algumas dificuldades num acto tão banal como a alimentação em situação de incapacidade temporária ou permanente dos membros superiores.
Acreditamos que será uma actividade inesquecível, por isso vimos por este meio convidar-vos para participarem neste evento inédito que terá lugar na CANTINA ALÉM RIO (localizado na Rua Actor Rui de Carvalho) em Vila Real, a partir das 19h.
Contamos com a vossa presença, deixando aqui o nosso maior agradecimento a todas as pessoas que quiserem participar.
CONSEGUE COMER SEM MÃOS?
ACEITE O NOSSO DESAFIO, VENHA JANTAR CONNOSCO!
Contacto:
David Fonseca
SMS: 936287573
naera@utad.pt
www.utad.pt/
A Associação Portuguesa de Terapeutas da Fala (APTF, 2004) define o terapeuta da fala como: “O profissional responsável pela prevenção, avaliação, tratamento e estudo científico da comunicação humana e das perturbações com ela relacionadas. Neste contexto, a comunicação humana engloba todos os processos associados com a compreensão e produção de linguagem oral e escrita, bem como as formas de comunicação não verbal. As perturbações reportam-se à fala e à linguagem, que são dois dos aspectos mais complexos e desenvolvidos do funcionamento cerebral, bem como ao funcionamento auditivo, visual, cognitivo – incluindo a aprendizagem – muscular oral, respiratório, vocal e da deglutição”.
Este filme, realizado pelo americano Stephen Herek, conta a história de um jovem compositor, Glenn Holland, que sonha um dia escrever uma grande sinfonia.
Continuando a falar de articulação, quero lembrar aqui aquela que pode e deve existir entre os terapeutas da fala, os educadores do pré-escolar, os docentes do primeiro ciclo e os docentes de Língua Portuguesa.
Todos aqueles que trabalham nas escolas de referência percebem que a relação entre docentes ouvintes e docentes surdos nem sempre é pacífica, quando ambos trabalham em parceria.
Já falamos aqui de tantas comemorações, que é tempo de mudar de tema. Mas antes disso, falta falar de Paranhos. Vou contar então como foi.
Em primeiro lugar, os alunos do 5ºS apresentaram uma dramatização:
O Capuchinho Vermelho Surdo
Um capuchinho especial que deixa o lobo embaraçado. Afinal isto não estava previsto na história. Palavras ameaçadoras para quê, ela não ouve. Palavras mansas também não servem de nada. Este Capuchinho deixa o lobo fora de si, pois não percebe nada do que ele diz.
Depois foi tempo de poesia, expressividade e emoção:
A magia das mãos(7ºS) O silêncio (8ºS)
E por fim, muitas, muitas anedotas, contadas pelos alunos e não só.
Duas delas podem ser encontradas no livro "Surdos, 100 piadas". A primeira é sobre preservativos... cuidado para não ferir susceptibilidades nas mulheres surdas. A segunda é sobre uma árvore que é diferente das outras. Todas caíam ao grito dos lenhadores, menos uma. Porque será que era tão teimosa? Era surda, é claro!
Muitas gargalhadas animaram este dia em Paranhos. E no fim de tanta diversão, a lembrança necessária: a LGP é uma disciplina tão importante como as outras, exige dos alunos o mesmo empenho e dedicação. Não é por serem surdos que vão pensar que é fácil e que não exige tanta atenção. Os alunos ouvintes nunca deixam de aprender português, desde que entram até que saiem da escola. Os alunos surdos devem seguir o mesmo percurso na disciplina de LGP, pois só assim podem desenvolver o domínio daquela que é a sua primeira língua.
Já aqui falamos de vários eventos que assinalaram o Dia da LGP, em Portugal e mais particularmente no norte do país. É interessante saber também como foi nos Açores e na Madeira.
Nos Açores, as comemorações decorreram na Escola Básica de Arrifes, uma escola de referência para alunos surdos em Ponta Delgada. Aí tiveram lugar várias actividades que contaram com a presença de alguns deputados da região.
Na Madeira, a forma de assinalar o evento foi diferente do habitual. A comunidade surda levou a cabo diversas acções de sensibilização nos cafés do Funchal. O objectivo foi levar a língua gestual aos ouvintes, fazê-los tomar contacto com expressões simples do dia-a-dia como pedir um café, dizer "bom dia" ou simplesmente "obrigado".
Comemoramos o Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa e foi muito divertido. Foi mais do que um dia, foi uma semana. Todos os meninos da escola participaram e gostaram de viver estes dias.
Da parte de tarde, nós os meninos Surdos, os ouvintes da pré e os primeiros anos, brincamos muito e fizemos jogos com as palhaças Surdas.
Meninos Surdos da Escola EB1/JI do Covelo
Caros colegas e interessados,
Como sabem a dificuldade de implementação do Ensino Bilingue a Surdos no nosso país tem tido um caminho bastante difícil, no entanto, consideramos que não são os fundamentos teóricos que estão errados e sim a aplicação destes à realidade. Por essa razão efectuámos, no CEDJRP, no ano lectivo transacto, uma profunda reflexão sobre a aplicação deste modelo e considerámos ser urgente, a criação de uma estrutura de suporte para que o Ensino Bilingue seja uma realidade e não uma utopia. Assim, é para nós uma prioridade, a criação e produção de materiais bilingues desde o ensino Pré-Escolar ao Ensino Secundário. Em Julho de 2009 já produzimos um DVD em LGP de acessibilidade dos surdos aos museus, que estará acessível ao público, em geral, brevemente.
Hoje será, então, lançado o primeiro DVD dos Reis de Portugal em LGP, dando início à produção de vários materiais bilingues que se seguirão.
Assim, de 16 a 20 de Novembro o CED Jacob Rodrigues Pereira irá comemorar a semana da Língua Gestual Portuguesa com variadíssimas actividades desde o Pré-escolar ao ensino secundário.
Destacamos o dia 16 onde lançaremos um DVD dos Reis de Portugal em LGP. Este trabalho, como já referimos, vem na sequência de um amplo projecto de criação de materiais de suporte ao Ensino Bilingue desenvolvido pelo CEDJRP- Casa Pia de Lisboa.
Esta produção de materiais bilingues está sob a coordenação da Unidade de Investigação e do Departamento de LGP.
Este é apenas o primeiro passo de um trabalho, que temos consciência, levará vários anos a efectuar e que no fundo nunca estará concluído...
Um abraço a todos,
Paulo Vaz de Carvalho
Hoje, dia 15 de Novembro de 2009, o JN publicou uma notícia sobre o dia nacional da Língua Gestual. O texto salienta a necessidade de criar a oferta de LGP como disciplina curricular.
A notícia fala, também, sobre Lamaçães e a educação de alunos surdos
Aqui vai o link:
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedad
Sexta-feira passada, dia 13 de Novembro, comemorou-se no Agrupamento de Escolas de Lamaçães, o dia nacional da Língua Gestual. Todas as escolas de referência (Jardim-de-Infância Brácara Augusta, EB 1 do Bairro Económico e EB 2,3 de Lamaçães) festejaram com as suas comunidades educativas.
Na Escola EB 2,3 houve um momento de poesia em LGP, na Biblioteca.
Mas o ponto alto desta festa aconteceu no fim do dia com uma festa-convívio em que participaram pais, familiares e amigos dos alunos surdos. Foi tão concorrida a nossa festa que a sala onde a fizemos quase não conseguiu conter tamanha alegria e participação.
Aqui vai o programa:
Como já foi referido no post anterior, decorreu ontem na FPCEUP uma conferência destinada a assinalar o Dia Nacional da LGP. Falou-se de tudo um pouco, da LGP na saúde, na sociedade, na comunicação social e na educação. Os problemas apontados foram os mesmos de sempre, mostrando que ainda há um longo caminho a percorrer nas diversas áreas.
São dias de festa para os surdos. Pelo décimo segundo ano, celebra-se o reconhecimento da Língua Gestual Portuguesa na alteração à Constituição realizada em 1997.
Ainda a propósito do Dia Nacional da LGP, gostaria de lembrar aqui alguém que, embora sendo ouvinte, teve um papel crucial no reconhecimento da Língua Gestual Portuguesa. Estou a referir-me a Maria Augusta Amaral, doutorada em Linguística Aplicada pela Faculdade de Letras de Lisboa, investigadora na área da linguística da Língua Gestual Portuguesa e da educação bilingue para alunos surdos e directora do Instituto Jacob Rodrigues Pereira entre 1992 e 2007. Juntamente com Amândio Coutinho, Maria Augusta Amaral fez parte do grupo de trabalho que levou ao reconhecimento da LGP pela Constituição Portuguesa.
Comemora-se todos os anos o Dia Nacional da LGP. Esta data pretende celebrar o dia em que foi criada a Comissão Para o Reconhecimento e Protecção da Língua Gestual Portuguesa e Defesa dos Direitos das Pessoas Surdas. Esta comissão foi criada em 15 de Novembro de 1995 e dela faziam parte várias associações representativas das pessoas surdas, familiares de surdos, jovens surdos, intérpretes de LGP, bem como professores e técnicos que trabalham com alunos surdos. Todos estavam unidos em torno de um objectivo comum. Foi graças a esta comissão que se conseguiu o reconhecimento da Língua Gestual Portuguesa, pela 4ª revisão da Constituição da República Portuguesa, em 1997.
Durante o tempo em que vigorou o Decreto-Lei 319/91 tornou-se um hábito dispensar os alunos surdos da frequência da disciplina de Inglês. Por vezes, nem sequer se analisava se o aluno tinha dificuldades de aprendizagem ou não. Bastava ser surdo para obter essa dispensa e as horas dessa disciplina eram direccionadas para aulas de apoio a Língua Portuguesa. Partia-se do pressuposto de que se os alunos surdos tinham bastantes dificuldades a Português, também as teriam às Línguas Estrangeiras. Mais valia dedicar mais tempo à Língua Portuguesa, para ver se, pelo menos essa língua, eles conseguiam dominar minimamente. Nunca ninguém propunha a dispensa de outras disciplinas, era sempre o Inglês e o Francês.
Considero que a motivação interior é a base principal para o sucesso dos nossos alunos. Se eles não acreditarem, nunca chegarão lá. Mas se acreditarem, todas as possibilidades estarão em aberto e o futuro será certamente diferente.
Para responder às necessidades especiais de encontro, partilha e reflexão de todos os que se envolvem na Educação Especial, Sábados Especiais é um programa de (auto)formação do Gabinete de Acompanhamento à Educação Especial da DREN, com a colaboração das Escolas e outras instituições.
Pesem o que pesem as alterações climáticas e o aquecimento global, parece que o que aí vem é Inverno e frio e chuva. Sendo que agora o tempo é de pantufas, só resta a lembrança do calorzinho e das liberdades do Verão.
Passe a publicidade, e porque hoje é sábado, deixo aqui um anúncio que nos cultiva essa saudade. A justificação é que… tem quadradinho para o tradutor de LIBRAS.
Profissão divertida, né? Mas com os seus perigos…
Foi publicado no domingo, no jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte, o artigo da autoria de Flávia Ayer que, sob o título «Solidariedade e fé movem a família Gontijo», transcrevemos abaixo. Fala-nos de determinação e da importância de não baixar as expectativas. Querem ler?
Fotografia de Marcos Michelin para EM/D.A PRESS
Nas aulas de Língua Portuguesa enquanto Língua Materna, os alunos ouvintes aprendem a classificar morfologicamente as palavras, mas nunca aprendem qual é a preposição que se usa com determinado verbo, porque esse é um conhecimento que adquirem de forma natural e espontânea, sem necessidade de aprendizagem formal.
Quando começam a aprender Inglês, já sentem necessidade de efectuar essa aprendizagem, porque a língua é diferente e a preposição que se escolhe pode mudar o significado de um verbo. É por isso que existem os dicionários de Phrasal Verbs.
A Associação de Formadores de Monitores Surdos, AFOMOS, com a colaboração da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto e da Associação de Surdos do Porto, comemora o Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa com a Conferência «Eis as Questões em LGP», no próximo dia 14 de Novembro, no Auditório da FPCEUP.
É uma sugestão para praticar a leitura partilhada de histórias. As aventuras poéticas de um gato feliz e inspirado são apresentadas num livro pensado para o acesso à leitura, numa combinação apurada de texto e imagem.
O Gato Gatão, poeta de profissão é um livro de Graça Breia e Raquel Pinheiro (ilustração), que tem um sítio (http://www.raquelpinheiro.net) e um blogue (http://raquel-pinheiro.blogspot.com/) que pedem a visita. Edição CERCICA (http://www.editoracercica.com/index.html).
A investigação sugere que a leitura partilhada de histórias, diária, contribui para o desenvolvimento precoce da linguagem infantil e para o desenvolvimento da literacia. A partilha regular de livros de histórias na escola também parece compatível com o desempenho académico, a aprendizagem da linguagem e da literacia.
Ainda sobre o Regresso a Salamanca e o especial relevo que a Conferência concedeu à aplicação do artigo 24 (Educação) da Convenção da Organização das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiências (UNCRPD) e também porque no post sobre a Convenção nos referimos a uma tradução não oficial do documento, transcrevemos de seguida o texto oficial do artigo, retirado do Diário da República, 1.ª série — N.º 146 — 30 de Julho de 2009, que publica a Resolução da Assembleia da República n.º 56/2009, aprovada em 7 de Maio:
Arrancaram em Setembro e vão rolar até Janeiro ou Fevereiro do próximo ano. Quatro estudantes alemães, surdos e ouvintes, organizaram uma aventura para percorrer Brasil, Bolívia, Peru e Equador em tandem (e outros meios de transporte). No percurso, incorporam jovens surdos locais e com eles pretendem concretizar cerca de dez workshops em escolas, relacionados com a divulgação das línguas gestuais. O objectivo é acabar com os preconceitos ainda existentes em relação aos surdos e mostrar às crianças ouvintes que os surdos podem comunicar, compartilhar pensamentos e ideias, até com pessoas de outros continentes, através das línguas gestuais.
Os participantes na Conferência Mundial sobre Educação Inclusiva, que reuniram na passada semana (21 a 23 de Outubro de 2009), em Salamanca, aprovaram uma resolução em três pontos, de que damos aqui conhecimento:
Falando ainda de representações sociais, quero apresentar aqui um outro filme. Desta vez não é de surdos sobre ouvintes, mas de ouvintes sobre os intérpretes de língua gestual.
A escola pode esperar, a vontade de aprender é que não. O jardim-de-infância não é a escola e não deve descaracterizar-se nem organizar-se com os princípios que correspondem a outras fases, posteriores, do desenvolvimento. Até porque, enquanto a escola espera, não há tempo a perder, que o se deve viver aos dois, aos três, aos quatro e aos cinco anos tem que ser vivido na idade e plenamente. Ou seja, brincar, que é uma coisa muito séria nestas idades (e nas outras).
As crianças surdas são muito diferentes umas das outras, mas têm todas as mesmas necessidades: precisam de desenvolver precocemente as competências de comunicação numa língua que lhes permita representar-se e representar o mundo e precisam de o fazer numa língua acessível e de aceder à segunda língua a partir da língua que conhecem melhor, desenvolvendo uma literacia do português escrito e uma expressão oral de acordo com as suas capacidades. Precocemente.
Um comercial produzido na Tailândia:
É a história de uma menina Surda que aprende a tocar violino contra todos os reveses, principalmente de uma colega pianista e maldosa.
É um comercial de shampoo, da Pantene com a temática "lição de vida", mostrando *o que se pode fazer com o coração*.
Nenhuma referência é feita ao produto (shampoo) até o fim do comercial: "Você pode brilhar".
Os ouvintes têm representações sociais sobre os surdos e os surdos também as têm sobre os ouvintes. Inspirado em Monty Pyton, Charlie Swinbourne decidiu fazer um sketch em língua gestual, com um argumento centrado nas vivências das pessoas surdas. Estou a falar de “Four Deaf Yorkshiremen”. Este filme dá-nos a conhecer as dificuldades por que passaram quatro surdos irlandeses, desde a infância até à idade adulta, e deixa implícita uma certa visão sobre os ouvintes.
Departure Lounge é uma curta-metragem realizada por Louis Neethling e produzida pela BSLBT (British Sign Language Broadcasting Trust), que conta com a participação de vários actores surdos.
Já pensaram em um mundo totalmente adaptado às pessoas "com incapacidade"? Um mundo em que não ter "incapacidade" fosse "fora do comum"? Este anúncio francês dá uma idéia de como seria.
A votação electrónica tem revelado propensão para vulnerabilidades de segurança cuja resolução é complexa, como se verificou em experiências de votação electrónica noutros países, com particular destaque para as da Alemanha, EUA, Holanda e Irlanda, onde a votação electrónica foi suspensa ou substancialmente reformulada.
O principal interesse em considerar um projecto de voto electrónico em Portugal seria a sua possível contribuição para permitir a votação de cidadãos que se encontrem longe do local da sua mesa de voto no Dia das Eleições, o chamado "voto em mobilidade". Na verdade, uma possível facilitação da contagem de votos por meios electrónicos tem pouco interesse em Portugal, já que a contagem dos votos tradicionais em papel termina em geral menos de 6 horas após encerradas as urnas, e a introdução generalizada de votação electrónica tem elevados custos, envolve uma organização logística complexa e levanta problemas de segurança informática e de garantia de secretismo do voto. Acontece que também é possível criar um sistema de “voto em mobilidade” em papel realizando-o uns dias antes do Dia das Eleições (ver sistema simples e económico de “votação em mobilidade” em papel), pelo que a introdução de voto electrónico só é necessária para o “voto em mobilidade” se for considerado que este se deve realizar também no Dia das Eleições. Contudo, mesmo neste caso, deverá ser cuidadosamente ponderado se essa possibilidade compensa os custos e problemas de um sistema de voto electrónico.
Apesar da utilização de votação electrónica em eleições políticas ter sido iniciada há mais de 30 anos – na Holanda – e cerca de 25 países terem realizado experiências de votação electrónica de vários tipos, em quase metade deles iniciadas há mais de 10 anos, a sua utilização regular é presentemente muito restrita. Apenas 4 países (Brasil, Índia, Estónia, Venezuela) usam hoje em dia (em 2008) votação electrónica directa em todos os locais (na Estónia pela Internet), e só dois outros países a usam com razoável incidência (cerca de 50% na Bélgica em 2004 e 2007; 38% nos Estados Unidos da América, em 2006). Acontece que destes países, só na Estónia a votação pode ser feita pela Internet, exigindo os outros países a votação em máquinas instaladas em assembleias de voto sem ser possível o “voto em mobilidade”.
Mesmo a disponibilização da votação pela Internet para cidadãos residentes no estrangeiro em países onde podem votar por correspondência tem sido rara: além obviamente da Estónia, e em parte dos 3 cantões Suíços onde foi iniciada a introdução da votação pela Internet, foi possível na Holanda em 2004 e na França em 2006.
Os problemas de segurança que podem ocorrer levaram vários países a atrasar ou interromper a introdução de votação electrónica e, alguns, a abandoná-la, sendo o caso mais marcante a Holanda que, depois de um crescimento progressivo ao longo de mais de 30 anos ter levado em 2002 à disponibilização quase plena de votação electrónica em máquinas nas assembleias de voto, resolveu bani-la completamente em Maio de 2008 e regressar à votação em papel.
Deve o formador de Língua Gestual Portuguesa participar na aula da disciplina de Português como L2 para alunos surdos?
Todos os professores que leccionam Língua Portuguesa como segunda língua aos alunos surdos se debatem com dois grandes problemas: por um lado a falta de programa e por outro a falta de manuais específicos. Surgem por isso dúvidas quanto ao caminho a percorrer.
No ano transacto, iniciou-se na Escola EB1/JI do Covelo, Agrupamento Eugénio de Andrade, um projecto de intervenção precoce para as crianças surdas, a partir dos 0 anos de idade. O apoio é prestado também às famílias, pois estas carecem de formação em LGP e de orientação quanto à forma como educar os seus filhos surdos. Como é uma iniciativa de crucial importância, consideramos que é necessária a sua divulgação. Pedimos por isso à equipa responsável por este projecto para falar um pouco sobre ele. É importante que todos saibam da sua existência para que cada vez mais crianças surdas possam beneficiar deste serviço. Os pais, os profissionais ligados à saúde e os profissionais ligados à educação, têm um papel fundamental no encaminhamento destas crianças. Desse encaminhamento precoce depende um percurso com menos barreiras e menos dificuldades no futuro.
É importante que o encaminhamento se faça. O espaço é bonito e acolhedor. Deixo aqui imagens da sala e o contacto:
Sala de Intervenção Precoce para Crianças Surdas
Escola EB1/JI n.º28 do Covelo
R. Dr. Adriano de Paiva
4200-014 Porto
Telefone/ Fax: 225511936
E-mail: info@eb1-porto-n28.rcts.pt
Susana Capitão é uma jovem terapeuta da fala que, contudo, tem já uma considerável experiência de trabalho com crianças surdas e, o que é mais, uma prática construída quotidianamente na escola inclusiva. Acaba de publicar, na revista Diversidades, «Terapia da Fala no Mundo da Surdez», um artigo que dá exactamente conta desse saber vivido e da uma profunda reflexão sobre a aquisição da língua oral no contexto do desenvolvimento global das crianças surdas. Tem, por isso um discurso que se distancia da visão dominantemente clínica que persiste ainda no discurso de uma parte considerável destes técnicos que, não por acaso, são formados a partir das estruturas da saúde (ou deveria dizer da doença?).
Temos falado aqui de bibliotecas escolares e de bibliotecas online e sobre a importância de promover o interesse pela leitura. Daí o destaque de alguns livros destinados a diferentes idades, que contêm em termos temáticos referências à cultura e identidade surdas.
No seguimento do post anterior, e continuando a falar dos alunos da professora Neiva de Aquino Albres, há um outro aluno que também concorreu ao Bibliofilmes 2008 e que, embora não tenha sido o vencedor do primeiro prémio, também merece o nosso destaque.
Existem muitas formas de motivar os alunos para a leitura. Tanto os pais como os professores são elementos fundamentais nesse processo, ao se constituírem como mediadores entre a criança e o livro.
Quero deixar aqui o testemunho de uma professora de Língua Portuguesa (L2), do Instituto Santa Teresinha, de São Paulo, no Brasil. Ela partilha connosco a metodologia que usa para promover o gosto pelos livros junto dos seus alunos:
Dois projectos desenvolvidos por estudantes surdos do ensino secundário de uma escola brasileira foram seleccionados pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica Júnior (BIC-Jr) do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG). Os projectos são inovadores porque, segundo a nossa fonte (Ministério da Educação do Brasil), é a primeira vez que o programa atribui bolsas a surdos.
Hoje o destaque não vai para um livro, mas para o último número da Revista Diversidades. A Revista da Direcção Regional de Educação Especial e Reabilitação da Madeira (DREER) contempla desta vez a surdez em todas as suas vertentes, numa abordagem bastante completa desta temática.
Língua Gestual Portuguesa e Bilinguismo
Marta Morgado e Mariana Martins
O Ensino do Português num Contexto de Educação Bilingue
Maria do Céu Gomes
Português como Segunda Língua
Eduardo Cabral
Terapia da Fala no Mundo da Surdez
Direitos Linguísticos, Acessibilidade e Cidadania. Spread the Sign e Profacity.
A Educação de Surdos na RAM (Região Autónoma da Madeira)
APADAM: Um Sonho em Construção!
Convivendo com a Surdez…
Rui Pinheiro
Surdez: Outra Dimensão da Psicologia
Susana Spínola
Aprender… Nunca é demais!
Luís Miguel Moura Costa
Nestes meus destaques de livros, não poderia deixar de mencionar aquele que marcou de forma determinante o meu envolvimento profissional com a educação de surdos. Estou a falar de “O Grito da Gaivota”, de Emmanuelle Laborit.
Este é um outro livro de referência para a comunidade surda. A autora é Marta Morgado, que com esta história pretendeu prestar uma homenagem a todas as crianças surdas, oriundas de países africanos, que deixaram as suas famílias para vir estudar para Portugal.
«-Nos surdos, há os surdos que falam e os surdos que não falam. Nos surdos que falam, há os surdos que falam e gestuam e os surdos que falam mas não gestuam. Nos surdos que não falam, há os surdos que não falam mas gestuam e os surdos que não falam nem gestuam. e depois, nos surdos que falam, há os surdos que falam e que escrevem e o surdos que falam mas que não escrevem. E nos surdos que não falam, há os surdos que não falam mas que escrevem e os surdos que não falam nem escrevem. Portanto, nos surdos que falam mas que não gestuam, há os surdos que falam mas não gestuam e os surdos que falam mas não gestuam e escrevem e os surdos que falam mas não gestuam nem escrevem. E portanto, nos surdos que falam e gestuam, há os surdos que falam, gestuam e escrevem e os surdos que falam, gestuam mas não escrevem. E ainda, nos surdos, há os surdos que ouvem alguma coisa e os surdos que não ouvem nada. E portanto, como consequência, nos surdos...
No seguimento do post anterior, quero falar hoje de um dos livros mais usados pelos docentes de LGP nas suas aulas. Estou a referir-me à banda desenhada, “Léo, o Puto Surdo”, um dos livros que, na minha opinião, devia fazer parte das bibliotecas escolares das Escolas de Referência.
Outubro é o Mês Internacional da Biblioteca Escolar, este ano subordinado ao tema “School Libraries: The Big Picture”. Durante este mês, as bibliotecas escolares têm por norma organizar um conjunto de actividades, envolvendo toda a escola e a comunidade em que esta se insere, de modo a motivar todos para a importância da leitura.
A primeira solução destina-se principalmente a pessoas com deficiência motora ou com pouca destreza que não consigam marcar o voto manualmente. Para esse efeito desenvolvermos uma aplicação informática algo semelhante à utilizada na Eslovénia nas passadas eleições europeias - o TOPVOT (http://www.topvoter.com/ ). Neste caso o voto será impresso numa vulgar impressora, com uma cruz desenhada manualmente e posteriormente digitalizada. O sistema também pode ser usado por pessoas cegas, com baixa visão ou analfabetos pois possui voz e a interacção é feita tocando em apenas dois botões ou teclas (uma tecla/botão vai avançando na lista dos partidos e a outra selecciona).
A segunda solução, muito simples, destina-se a pessoas com deficiência visual e inspira-se numa experiência realizada nos EUA com material não electrónico. Trata-se do Vote-PAD: Voting-on-Paper Assistive Device (http://www.vote-pad.us). Neste caso teremos uma matriz transparente que é colocada por cima do boletim de voto e que possui apenas uns pinos ou bolas ao lado de recortes coincidentes com as quadrículas do boletim de voto. A informação sobre a ordem dos partidos no boletim (que será contada tacteando os pinos ou bolas) pode ser fornecida com um vulgar gravador de áudio ou leitor de CDs, com texto ampliado ou em Braille.
Junto em anexo fotografias dos dois sistemas.
O meu nome é David Fonseca, sou finalista do pioneiro Curso a nível Europeu de Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade Humana, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, assim como sou também fundador e actual Presidente do NAERA – Núcleo de Alunos de Engenharia e Reabilitação e Acessibilidade Humana da mesma Universidade.
O meu percurso académico iniciou-se através da frequência do Curso de Engenharia Informática, onde encontrei diversos entraves e barreiras de aprendizagem como pessoa Surda. A falha de comunicação, falta de intérpretes de Língua Gestual, professores mal preparados para as pessoas Surdas foram alguns dos meus problemas. Estes factos, conjugados com o real interesse pela área em que estou inserido, fizeram-me optar pelo curso que actualmente frequento.
A Engenharia de Reabilitação é a profissão ou actividade orientada para aplicação da ciência e da tecnologia na melhoria da qualidade de vida de populações com necessidades especiais, nomeadamente, pessoas com deficiência, idosos e acamados em áreas abrangentes como o acesso a tecnologias e serviços conexos, educação, emprego, saúde e reabilitação funcional, transportes, vida independente e recreação.
É neste contexto que, no ano de 2003, começam a surgir as primeiras linhas orientadoras que viriam a dar lugar à formação da primeira Licenciatura Europeia em Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade Humanas. Esta iniciativa pioneira vem de encontro ao que já havia sido desenvolvido noutras partes do mundo, mas que ainda não havia sido concretizada numa Licenciatura.
Concluído o Curso, os futuros Engenheiros de Reabilitação têm como principal objectivo demonstrar o impacto de mudar a sociedade, tal como: encontrar e desenhar soluções específicas e à medida para os mais diversos problemas funcionais de pessoas com deficiência; promover a acessibilidade integral na sociedade a todos, incluindo aqueles que têm necessidades especiais; contribuir para a criação e desenvolvimento de instrumentos e tecnologias que facilitem, optimizem e prolonguem a funcionalidade de pessoas com deficiência, estimulando também a criatividade na área tecnológica e de design; fomentar a partilha de conhecimento especializado e de experiências entre profissionais e pessoas com necessidades especiais.
As Pessoas Surdas viram-se constrangidas a viver à margem no quotidiano. Tinham a barreira da comunicação e não lhes era permitido visitar museus, consultar o médico ou serem recebidas nos serviços públicos. As barreiras que se interpunham entre elas e estes serviços e bens eram de tal forma condicionadoras do seu estatuto de cidadania.
O recurso às novas tecnologias para os Surdos é fundamental. Recuando no tempo, a tecnologia utilizada para o auxílio do Surdo não há muitos anos, resumia-se ao”pager”, um dispositivo no qual o surdo podia receber uma determinada mensagem escrita no seu receptor. O Telefone de Texto, que ainda hoje se encontra actual, permitia que quem possuísse dois desses equipamentos pudesse comunicar, tal e qual como através de um chat na internet. Nos dias de hoje, existe um maior leque de opções para o Surdo, bem como a preocupação de promover o aparecimento de tecnologias de apoio economicamente mais acessíveis a todos, assim como avaliar proactivamente o impacto de tecnologias emergentes.
Actualmente existe já uma ampla rede de novas tecnologias de apoio ao Surdo que já são utilizadas um pouco por todo o mundo, através da tecnologia 3G, que possibilita juntar num só aparelho texto, voz, internet, Messenger, e-mail, vídeo-conferência e SMS. Esta tecnologia permite que os surdos possam comunicar através da LG (Língua Gestual).
Agora é possível que em qualquer parte do país ou do mundo, dois surdos possam comunicar sem ter que pedir ajuda a ninguém, o que por vezes nem sempre é possível…
De facto, até mesmo quem mais deveria dar o exemplo, demonstra falhas inconcebíveis, uma vez que o governo e as entidades reguladoras deixam passar em claro situações como a falta de tradução de LGP (Língua Gestual Portuguesa) nos telejornais da estação pública e legendas em todos os programas. Não nos podemos limitar a tentar ler nos lábios…
É por isso de extrema importância influenciar os serviços do Estado e o sector económico para a necessidade de criar produtos, tecnologias, serviços e ambientes sem barreiras para pessoas com actividade limitada.
Os obstáculos e barreiras que encontramos diariamente são uma constante, por isso, devemos sensibilizar todos os seres-humanos para pensarem um pouco, porque, como muita gente diz, “mais vale prevenir do que remediar…” e não podemos voltar atrás pois a vida só tem um sentido! Por isso a acessibilidade deve ser OBRIGATORIA em todas as áreas.
Obrigado pela vossa atenção,
David Fonseca
Em baixo estão os videos da Comunicação:
Ninguém tem dúvidas de que uma das principais premissas para o sucesso de um projecto bilingue é o domínio da língua gestual, quer por parte dos pais das crianças surdas, quer por parte dos docentes que trabalham nas escolas. Sem esta base, todas as medidas anunciadas, por mais bem intencionadas que sejam, acabam por cair por terra.
O desenvolvimento linguístico começa em casa, no seio da família. É através da comunicação que se dá o primeiro contacto com o mundo, atribuindo-lhe significado. Se não existir um código linguístico comum com as pessoas mais próximas, a criança surda inicia um percurso de alheamento em relação à realidade existente, a aquisição da linguagem fica comprometida e o desenvolvimento cognitivo acaba por ser também afectado. A intervenção precoce junto da família é pois crucial.
“Temos que levantar os Surdos e defender a nossa língua”
Há pessoas que marcam a diferença e que conseguem, através da força do seu discurso, mobilizar esforços e sinergias e levar projectos para a frente. É sem dúvida o caso de Helder Duarte, uma figura carismática, que marcou e continua a marcar o percurso e as conquistas da comunidade surda.
Acabo de perceber que vlogging é vídeo blogging e que um vlog é um blogue de vídeo. É assim o vlog de Charles Katz, Travels with ChaRly.
Marta Morgado, outra das vozes surdas com o discurso mais articulado no presente, abriu a primeira mesa da tarde.
A segunda mesa do Congresso debruçou-se sobre a questão do Ensino Superior. A primeira oradora, Cláudia Gil, aluna da Licenciatura em LGP da ESE de Coimbra, deu conta de um inquérito realizado a nível nacional a alunos do ensino secundário e do ensino superior. Um dado relevante deste inquérito é o facto de mostrar que a maioria dos alunos surdos termina o secundário muito tarde, por volta dos 23 anos. Segundo Cláudia Gil, este atraso em termos etários deve-se ao facto de muitos surdos já entrarem tardiamente para o primeiro ciclo e na maior parte das vezes, sem uma língua adquirida. Por vezes a escola em que ingressam também não é facilitadora da aquisição dessa aprendizagem. E o aluno surdo vai acumulando dificuldades, vai fazendo um ano em dois anos. Depois é o que se vê. Com 23 anos, os alunos ouvintes já estão há imenso tempo na faculdade e os surdos ainda andam no secundário.
Mais de duzentos participantes assistiram no início da manhã à abertura do IV Congresso Nacional de Surdos. Armando Baltazar, presidente do Congresso abriu a sessão e abriu as questões que se colocam para o futuro da comunidade. Os discursos das entidades oficiais convidadas antecederam a primeira mesa do dia, dedicada à reflexão sobre as escolas de referência.
Os surdos não ouvem os cegos e estes não vêem gestos? A tecnologia está mesmo aqui à mão. Melhor, mão-na-mão. Já é assim que as crianças surdocegas aprendem a representar o mundo, mas esse é o mundo muito específico da surdocegueira.
“Era uma vez uma casa onde qualquer pessoa se podia declarar seu legítimo habitante. Onde cada um podia construir o seu espaço para se relacionar com a música. Onde todos tinham voz na descoberta e invenção de um infindável universo de melodias, ritmos e sons – uns muito antigos, outros a despontar. E a casa foi-se construindo numa diversidade de diálogos feitos na linguagem universal da Música…”
«Pensar no Presente, Perspectivando o Futuro».
Já aqui abordamos muitos temas, mas nunca a terapia da fala. Assim, decidi fazê-lo hoje. Mas, melhor do que eu para falar desta temática, é alguém ligado à área. Das muitas coisas que já li, há um texto que me interessou especialmente. Estou a referir-me ao artigo “Educação Bilingue para Surdos” de Ana Cláudia Lodi (2000), que está inserido num livro, todo ele dedicado ao papel da terapia da fala dentro de um contexto de educação bilingue.
Do Brasil, chegou-me a simpática informação de que o núcleo de concursos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) disponibiliza em LIBRAS as instruções para o vestibular de 2010. Na página de entrada, um link dá acesso à página onde, em seis clips de vídeo, explicam o processo na língua dos surdos brasileiros (ver http://www.nc.ufpr.br/).
ADENDA
As comentadoras de serviço (obrigado, Margarida Santos, obrigado, Isabel Correia) enriqueceram o post acima, com a pertinência da opinião e alguns links. Como não funcionam nos comentários, vou acrescentá-los aqui, para que todos os consigam ver:
o sítio do Curso de Engenharia de Reabilitação da UTAD
http://www.engenhariadereabilitacao.net/s
o Poema em Língua Gestual Portuguesa, do Amílcar Furtado, divulgado neste blogue no Dia Mundial da Poesia, num post de Maria do Céu Gomes, em 21 de Março, claro.
o vídeo do Natal em LGP... vai esperar pela época própria, que não tarda, pode ser?
“Nós pertencemos ao “mundo do silêncio”. O nosso sonho, o nosso desafio é o de permitir aos surdos viver normalmente e com a mesma intensidade e emoção, a descoberta ou a exploração de terrenos extremos. A nossa prioridade e a nossa urgência são sensibilizar a opinião pública e a sociedade em geral para a situação real dos surdos hoje e no futuro. Nesta aproximação aos cumes e aos desertos selvagens, nós, os surdos, não procuramos a performance, nem os resultados desportivos, mas o privilégio de partilhar com os ouvintes a emoção da descoberta e as sensações da exploração.”
A nossa tendência é para, quando falamos de surdos, pensarmos principalmente naqueles que têm a Língua Gestual como primeira língua, mas como refere Misal, uma das comentadoras habituais deste blogue, convém não esquecer os surdos que utilizam a Língua Portuguesa no seu dia-a-dia, quer por opção própria, quer por opção dos pais. Muitos destes surdos são pós-linguísticos, ou seja, perderam a audição já depois de terem adquirido uma língua, na sua vertente oral e muitas vezes também escrita.
http://sulp-surdosusuariosdalinguaportug
Há um ano foram no Porto as comememorações nacionais do Dia Mundial dos Surdos. Organizada pela FPAS e pela ASP, uma marcha de surdos e não só percorreu as ruas da Invicta com as suas palavras de ordem.
Em Setembro de 1951, em Roma, a Federação Mundial dos Surdos (WFD) realizou o seu primeiro congresso mundial.
Nas eleições legislativas de 27 de Setembro o CERTIC vai realizar uma experiência piloto com uma interface áudio-táctil capaz de proporcionar independência e privacidade de voto a pessoas com deficiência visual, idosos e pessoas analfabetas. Essa experiência terá lugar na Escola Secundária S.Pedro em Vila Real durante a manhã, convidando os eleitores que já exerceram o seu direito de voto a simular o acto numa situação de incapacidade (por ex. com uma venda nos olhos) com a referida interface. Serão também convidados a participar nesta experiência os candidatos a deputados pelo círculo eleitoral de Vila Real.
Esta iniciativa conta com a colaboração do NAERA - Núcleo de Alunos de Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade e pretende dar um contributo para as preocupações manifestadas na petição n.º 559/X/4.ª e a resultante Resolução da Assembleia da República n.º 72/2009 sobre soluções de acessibilidade institucionais e legais adequadas ao exercício pleno do direito de voto, aprovada no passado mês de Julho.
É verdade que existem muitas (in) acessibilidades para os surdos e para outras pessoas, portadoras de necessidades especiais. Muito se debate e legisla, mas as obras públicas e os acessos continuam a ser o que são…
O Correio do Minho publicou, eu li uma cópia na SurdoTV e fui em busca da fonte. É uma entrevista da jornalista Marlene Cerqueira a João Dantas, Director do Agrupamento de Escolas de Lamaçães, Braga, editada a 31 de Agosto e disponível no sítio deste jornal.
«Os surdos são os menos favorecidos nas intervenções de acessibilidade realizadas pelos gestores públicos para pessoas com deficiência. Como enxergam e caminham, acabam não sendo atendidos com obras físicas na cidade.»

A Conferência Internacional Sign Languages Around The World que se realizou em Portugal no dias 8 e o Workshop de Signwritting, 9 e 10 deste mês na Universidade Católica e na Faculdade de Letras de Lisboa trouxe a Portugal alguns dos maiores vultos da investigação em Linguística das Línguas Gestuais, como Wendy Sandler da Universidade de Haifa- Israel, Ronice Muller Quadros da Universidade de Santa Catarina, Diane Lillo Martin, Débora Chen Pichler da Universidade de Gallaudet, Sandra Faria da Universidade de Brasília e Adam Frost, um dos coordenadores do projecto Signwritting. A nível nacional destacou-se a presença do Professor Alexandre Castro Caldas e da Professora Ana Mineiro.
Os palestrantes apresentaram as suas últimas investigações na área da ´Linguística das Línguas Gestuais das quais se destaca a investigação de Wendy Sandler acerca da ABSL, uma língua gestual quase familiar de uma família de surdos que vivem no deserto. O nascimento e evolução desta língua tem sido acompanhada científicamente como aconteceu com a Língua Gestual da Nicarágua. Destacou-se, também, a apresentação da Ronice Quadros da licenciatura em Língua Gestual Brasileira (LIBRAS) em sistema E-Learning que já cobre todo o território brasileiro. Este sistema de licenciatura em E-Learning será aplicado em Portugal pela Universidade Católica ainda no presente ano lectivo.
Os restantes palestrantes apresentaram investigações sobre a ASL e LIBRAS, na área dos componentes não manuais das línguas gestuais e aspectos da aquisição da língua gestual como segunda língua.
Nos dias 9 e 10, Adam Frost realizou um workshop sobre o Signwriting.
Em suma, penso que a conferência correu bastante bem, no entanto, gostaria de ter visto mais pessoas ouvintes a assistir, já que os surdos compareceram em grande número, por outro lado, gostaria de ter visto como palestrantes, investigadores surdos e existem tantos como Paddy Ladd, os irmãos Supalla ou Tom Humphries e carol Padden... talvez para a próxima conferência...
Gostaria, também, e fazendo de advogado do diabo, que estas investigações se reflectissem mais na melhoria da educação de surdos...
Até breve,
Paulo Vaz de Carvalho.
É de 2004 o artigo assinado em conjunto por Orquídea Coelho, Maria do Céu Gomes e Eduardo Cabral, intitulado «Formação de Surdos: ao Encontro da Legitimidade Perdida.
O Secretário de Política Social anunciou, no passado dia 16, que, no próximo mês, o governo aprovará a criação de um centro de normalização linguística da língua gestual nacional. Eis como se faz uma manchete espantosa se fosse verdade.
A Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular (DGIDC) publicou um manual de apoio à prática para a educação bilingue de alunos surdos. O livro lembra que não basta legislar, é necessário concretizar na prática as orientações dadas, o que implica adequações a diferentes níveis organizacionais e no plano pedagógico.